blog do Josué Moura


Maranhão Livre realiza encontro amanhã na Câmara Municipal

Reunião contará com a presença de lideranças comunitárias e políticas do sudoeste maranhense; partidos políticos de oposição ao governo do estado discutem projeto político para 2010

 

IMPERATRIZ – Partidos políticos, lideranças comunitárias e políticos que compõem o grupo de oposição ao governo do Estado reúnem-se nesta sexta-feira (19), a partir das 9h, no plenário da Câmara Municipal de Imperatriz. A informação foi confirmada ontem (17) pelo vice-prefeito de Imperatriz, Gean Carlo (PDT).

Segundo ele, os líderes políticos que integram a “Frente de Libertação do Maranhão” participaram em maio de um encontro, em São Luís, para formatar a realização de encontros regionais em todo o interior do estado. “Já realizamos um encontro em Pinheiro, onde ficou definido que a próxima reunião acontecerá nesta sexta-feira, em Imperatriz”, garantiu.

Gean Carlo afirma que o encontro contará com a presença dos ex-governadores José Reinaldo Tavares (PSB) e Jackson Lago (PDT), deputados federais, estaduais, prefeitos, vereadores e lideranças comunitárias da região Tocantina. Ele adiantou que serão discutidos temas como a atual conjuntura política do Maranhão; estornos dos convênios que causaram prejuízos à comunidade e, ainda, discutir um grande projeto político para 2010. “Esse projeto foi interrompido com a cassação do mandato do governador Jackson Lago”, disse.

O vice-prefeito externou convite às lideranças comunitárias, prefeitos, secretários municipais, vereadores, lideranças comunitárias e ao bravo povo tocantino para participar do encontro que debaterá o projeto “Maranhão Livre”.

Ele lembra que a meta do encontro é o de construir um projeto político viável para o Maranhão e ressaltou os esforços das lideranças partidárias – PSDB, PDT, PSB, PT, PCB, entre outros – de alicerçar a unificação do grupo rumo a 2010.

AVALIAÇÃO

Gean Carlo explica ainda que durante o encontro será avaliado a importância das ações desenvolvidas pelo governo Jackson Lago  para o estado, a cidade de Imperatriz e a região Tocantina. “Nós observamos que, embora Jackson Lago tenha sido cassado, ele conseguiu avançar muito os índices de infraestrutura no Maranhão”, disse.

O vice-prefeito assinala que o prefeito de Imperatriz, Sebastião Madeira, é o anfitrião do evento e que está a frente da organização do movimento. Ele justificou ainda que especulou-se a realização do encontro há 15 dias atrás, mas a falta de comunicação acabou inviabilizando o encontro, que agora está marcado para esta sexta-feira, dia 19. “Naquele momento o prefeito Madeira e todo o governo municipal estava voltado para a situação de emergência em que a cidade se encontrava, com o rigoroso inverno e as enchentes, não havia clima para o encontro”, justificou Gean.



Escrito por Josué Moura às 11h26
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Crise no Senado

Sarney se defende mas não convence.

O Brasil inteiro tem acompanhado a crise instalada no Senado da República, desde que José Sarney assumiu a presidência daquela casa. Quase toda semana um escânda-lo vem à tona, no mais recente, o dos "atos secretos", Sarney não se conteve e foi para a tribuna tentar se defender. Para tanto apelou para a sua biografia e acusou a setores da imprensa radical, mas pelo visto o tiro saiu pela culatra e quanto tenta se explicar o velho oligarca maranhense fica mais complicado.

Vejam a análise  de Lúcia Hipólito, cientista política, historiadora e jornalista, especialista em eleições, partidos políticos e Estado brasileiro; comentarista política da Rádio CBN e da Globonews:

A DEFESA DE SARNEY
Sua Excelência não convenceu

Muito nervoso, maltratando a língua portuguesa, o presidente do Senado, senador José Sarney, foi à tribuna para se defender das críticas, segundo ele, muito injustas, que não respeitam sua biografia.

Não convenceu. Listou vários fatos de sua biografia. Falou dos 50 anos de vida pública,  misturou fatos ocorridos durante a ditadura com ações suas na presidência da República.

Eximiu-se de toda e qualquer responsabilidade pela desmoralização completa por que passa o Senado da República. Repetiu inúmeras vezes que a crise não é dele, é do Senado.

Lamento, mas o senador José Sarney é o maior responsável pela crise.

Não se trata de desmentir ou de apagar a biografia do nobre parlamentar. Longe disso. Quem reescrevia o passado eram os historiadores soviéticos. A história de José Sarney é bem conhecida.

O que há de mais curioso a ressaltar no discurso de quase meia hora é a total falta de compromisso de José Sarney com os últimos dez ou 15 anos da história do Senado. Sarney discursou como se tivesse chegado ontem à presidência da Casa.

Como se não estivesse presidindo o Senado pela terceira vez. Como se não fosse pessoalmente responsável pela criação de cerca de 50 das 181 diretorias recém-descobertas na Casa.

Como se não fosse pessoalmente responsável pela nomeação de Agaciel Maia como diretor-geral do Senado. Como se não tivesse legitimado uma série de atos de Agaciel Maia e do diretor de Recursos Humanos, João Carlos Zoghbi.

Não é trivial privatizar o Senado da forma como o Senador José Sarney o fez. Tinha até outro dia um neto e duas sobrinhas empregados. Recebia auxílio-moradia tendo residência particular em Brasília e tendo à sua disposição, desde fevereiro, a residência oficial do Senado.

Sua estrategista de campanha era também diretora do Senado. Exonerada para fazer campanha, teve a exoneação cancelada (tudo através de documentos sigilosos).

Sua casa em São Luis era protegida por seguranças do Senado... embora ele seja senador pelo Amapá.

Semana passada, sua Excelência foi padrinho de casamento da filha de Agaciel Maia, ex-diretor-geral do Senado. Que agora, depois de prestar relevantes serviços ao senador Sarney, está sendo jogado às feras. Pelo senador Sarney.

O senador José Sarney não tem direito de afirmar que a crise não é dele.

Quando tenta diluir a crise do Senado brasileiro na crise de representação mais geral, que acontece em muitos parlamentos do mundo, o senador tenta uma manobra esperta.

É verdade que há crise em outros países, mas lá os parlamentares renunciam, pedem desculpas públicas, devolvem o dinheiro desviado. Alguns até se matam.

Não se espera nenhuma atitude radical por parte do senador Sarney. Nem mesmo a renúncia à presidência do Senado virá por livre e espontânea vontade.

Mas o clima de rebelião entre os funcionários do Senado é evidente. A forte reação da opinião pública também.

Uma vez o senador José Sarney contratou a Fundação Getúlio Vargas para fazer um diagnóstico da situação do Senado e propor medidas. Deu certo. Nada aconteceu.

Desta vez, repetiu a manobra. Mas suspeito muito de que não vai funcionar.

Os tempos são outros, Excelência.

Quem quiser ouvir pode acessar: http://www.cbn.com.br/Player/player.htm?audio=2009%2Fcolunas%2Flucia3_090616&OAS_sitepage=cbn/comentarios/luciahippolito/player



Escrito por Josué Moura às 09h38
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O livro secreto da ditadura

Jornalista revela detalhes inéditos dos porões do regime militar contidos no “Orvil”, livro jamais publicado, no qual o Exército conta sua versão dos fatos.

 

Recebido por e-mail.

Sérgio Montenegro Filho - smontenegro@jc.com.br

 

Uma tentativa de revide que se transformou numa confissão de atos até então jamais esclarecidos. É dessa forma que o jornalista e escritor mineiro Lucas Figueiredo resume o “Orvil”, livro secreto escrito por um grupo de militares do antigo Centro de Inteligência do Exército – o temido CIE. Concluído em 1987, o “Orvil” – palavra “livro” escrita ao contrário – dormiria por quase 20 anos nas gavetas de um seleto grupo de oficiais, até ser revelado e esmiuçado nos mínimos detalhes pelo repórter na sua mais nova obra, Olho por Olho - Os livros secretos da ditadura, lançado este mês pela Editora Record.
O livro de Lucas Figueiredo é o somatório de um poderoso trabalho de pesquisa, investigação e entrevistas com personagens da época ainda vivos. E revela mistérios até hoje guardados a sete chaves pelas Forças Armadas, como o destino dos corpos de vários militantes da esquerda armada, dados como “desaparecidos” pelas forças de repressão ou sobre os quais os militares alegavam não ter qualquer conhecimento. Traz ainda depoimentos inéditos de agentes e militantes de esquerda, contidos no “Orvil”, sobre passagens importantes da ditadura, como o combate no Araguaia e ações da guerrilha urbana pelo País.

O relato é feito a partir da visão dos militares, sem deixar, porém, de checá-la e fazer contrapontos com depoimentos e documentos obtidos pelas entidades de direitos humanos ou inseridos em obras de estudiosos e ex-militantes. Olho por Olho é, na realidade, a consolidação de uma série de reportagens publicadas por Lucas Figueiredo simultaneamente nos jornais Correio Brasiliense e O Estado de Minas, que em 2007 lhe rendeu o Prêmio Esso de Jornalismo.

 

LEI DE TALIÃO

 

O “Orvil” foi elaborado entre 1985 e 1987 por um grupo de militares do CIE – a partir de centenas de documentos das Forças Armadas –, sob encomenda do então ministro do Exército Leônidas Pires Gonçalves, durante o governo de José Sarney. A idéia do general era rebater as afirmações surpreendentes contidas no livro Brasil: Nunca Mais, maior e mais detalhada obra já escrita sobre a ditadura militar instalada em 1964.

Na introdução de Olho por olho, Figueiredo explica em detalhes a elaboração de Brasil: Nunca Mais, trabalho de fôlego realizado em segredo, durante seis longos anos, por um grupo de advogados, jornalistas e religiosos, sob o comando do então Cardeal de São Paulo, dom Paulo Evaristo Arns. Sua publicação, em 1985 – diz o autor – deixou irada a cúpula militar. E para contar a sua versão dos fatos, mais uma vez valeria a babilônica Lei de Talião: Agora, porém, em vez de armas contra armas, seria livro contra livro.
O rebote dos militares levou apenas dois anos para ficar pronto, graças ao acesso fácil às documentações e demais registros sobre a repressão. Em 1987, porém, ao apresentar a obra a Sarney, o ministro Leônidas amargaria uma última frustração: o presidente vivia um momento politicamente delicado, e proibiu sua publicação. Alegou que, após as delicadas costuras políticas que levaram à redemocratização, não pretendia reabrir antigas feridas de lado a lado, que considerava ainda “em fase de cicatrização”.

Indignado, mas disciplinado, o general guardou o original. Antes, porém, produziu 15 cópias, que distribuiu entre um punhado de oficiais de alta patente próximos a ele, ordenando que não houvesse novas reproduções. “O surpreendente é que a ordem foi acatada durante quase duas décadas”, escreve Lucas Figueiredo, que somente há dez anos teve acesso a uma cópia. “A primeira vez que ouvi falar que no Orvil foi em 1998, quando fazia a pesquisa do meu livro Ministério do silêncio, sobre a história do serviço secreto brasileiro. Um ex-torturador, me contou, e nos sete anos seguintes tentei botar a mão nele”, conta o autor.

Em 2007, quando visitava uma fonte militar, Figueiredo esbarrou num exemplar do Orvil. “Notando meu interesse pelos seus livros, ele (o militar) começou a mostrá-los e comentar. Quando eu já estava com uma pilha nos braços, ele disse: Ah, este aqui você vai gostar! E me mostrou dois grossos volumes de capa preta. Era uma das quinze cópias do Orvil”, conclui.
“Orvil” revela paradeiro de vítimas

 

Publicado em 14.06.2009

 

O livro do jornalista Lucas Figueiredo se divide em capítulos que abordam os principais temas do “Orvil”. No maior e mais denso deles, intitulado Tributo a Soljenítsin, o jornalista narra a confecção propriamente dita do livro secreto, desde a montagem da equipe até a conclusão, contando como aconteceu a escolha, pelo ministro Leônidas Pires Gonçalves, do coronel Agnaldo Del Nero Augusto – então chefe do Serviço de Informações do CIE – para coordenar o processo. Anticomunista confesso, Del Nero era o responsável pelos arquivos militares da repressão. Leitor culto, estudava a fundo obras de escritores comunistas. Seu preferido era o russo Alexander Soljenítsin, autor de Arquipélago Gulag, obra na qual critica o funcionamento dos campos de concentração criados pelo líder soviético Joseph Stalin. É dele a frase: “Aquele que recorda o passado perde um olho, e aquele que o esquece, perde os dois”.

No capítulo seguinte, Os guardiões, o jornalista destaca a negativa de Sarney em publicar o livro, a insatisfação da alta cúpula da caserna com a proibição e a distribuição secreta dos únicos 15 exemplares. Entre os que tinham conhecimento do “Orvil” estavam o próprio Leônidas, Del Nero e o general Sérgio Augusto de Avellar Coutinho, diretor do Clube Militar.

Mas a principal referência recai sobre outro guardião: o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, chefe da Seção de operações do CIE e ex-comandante do temido DOI-CODI de São Paulo, citado por ex-militantes como responsável por várias sessões de tortura. Em comum, todos eles publicaram livros contando suas próprias versões da repressão.

Os demais segmentos de Olho por Olho são dedicados à confrontação dos dados do “Orvil” com as informações colhidas por entidades ligadas aos direitos humanos e junto aos autores de Brasil: Nunca Mais. Nesse bloco, Lucas Figueiredo transcreve trechos do livro secreto da ditadura, expondo inverdades sobre prisões, torturas e mortes de militantes, aliadas a novas versões dos militares para vários casos. Em algumas delas revela, de forma inédita, o paradeiro de corpos de guerrilheiros classificados como “desaparecidos” após confrontos como o do Araguaia e episódios de guerrilha urbana.
Por último, o autor traz o pensamento da caserna a respeito da redemocratização, demonstrando que, encerrado o período de exceção – e embora tendo ganhado a “briga contra o comunismo” –, a célula responsável pelo “Orvil” ainda apostou durante anos em uma nova confrontação. Figueiredo identifica, ainda, vítimas inocentes da repressão, mortas apenas por estarem “em lugar errado, na hora errada”.

No epílogo, o jornalista relata onde e como vivem atualmente os principais personagens dessa história, desde o Cardeal Arns ao ministro Leônidas e seus comandados. E conclui com o recuo dos militares, que terminaram por tornar público o “Orvil”, hoje encontrado em vários sites da internet e bibliotecas de entidades civis.



Escrito por Josué Moura às 15h35
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Sarney censura Elio Gaspari

Por: Robert Lobato |

Quem é acostumado a ler todos os domingos a coluna do talentoso jornalista Elio Gaspari no jornal O Estado do Maranhão, ficou surpreso com a edição de hoje do matutino dos sarneys. Simplesmente, censuraram o Elio Gaspari. Motivo: uma contundente análise feita pelo jornalista sobre o escárnio que envolveu a nomeação do “filho secreto’ de Fernando Sarney realizada pelo senador Epitácio Cafeteira.

Não adianta amanhã o jornal “do outro lado da ponte” aparecer com notinhas dizendo que o senador José Sarney encaminhou protestos indignados pela não publicação da coluna do Elio Gaspari. Leia, abaixo, o texto censurado pelo jornal da família Sarney.

Fernando Sarney desafia Charles Darwin

Fernando e Cafeteira: "Uma mão lava a outra"

O senador maranhense Epitácio Cafeteira foi categórico numa conversa com o repórter Rodrigo Rangel:

“Eu contrato quem eu quero e não sabia que tinha que pedir autorização a vocês da imprensa”.

O problema não é de autorização, mas de compostura. Há 22 anos, o empresário Fernando Sarney, filho do ex-presidente e dono de eletrizante fortuna, procriou fora do casamento com uma ex-candidata a Miss Brasília. Cafeteira colocou o moço na bolsa da Viúva dando-lhe um emprego de R$ 7,6 mil mensais em seu gabinete.

Pressionado pelas restrições ao nepotismo, demitiu-o e, para equilibrar o orçamento desse ramo da família de Fernando Sarney, contratou a mãe. Tudo com a discrição dissimulada das casas-grandes.

O filho do ex-presidente tem patrimônio e renda suficientes para pagar R$ 7,6 mil mensais com dinheiro do seu bolso. Para o padrão de consumo do andar onde circula, essa quantia equivale a duas caixas de bom vinho, ao custo de um jantar para 15 pessoas ou ao hotel na Europa num feriadão. Fernando Sarney não precisava passar a conta de seu filho para a Viúva. O episódio não assombra pelo aspecto corrupto nem mesmo pela avareza. O que ele traz de pior é a exposição da decadência.

Nas palavras de Cafeteira: “Eu devia favores ao Fernando. Ele me ajudou na campanha”. Fica faltando o senador dizer que favores e quanto valeram. No ano do bicentenário de Charles Darwin, Fernando Sarney tornou-se uma peça para o estudo da regressão das espécies.



Escrito por Josué Moura às 10h17
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